segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Amigas pra cachorro - Débora e Zara



Texto enviado por Débora Soares, uma grande amiga da Fernanda, da equipe Cão Sem Fome:
"Tínhamos acabado de casar, Frede e eu.
Minha vida sempre fora muito ligada aos cães, desde os 11 anos, quando tive meu primeiro cachorrinho, um Pinscher chamado Jordan.
Durante o nosso tempo de namoro, Frede passou a ter uma grande afinidade com cães, pois passou a participar das minhas aventuras caninas, que não foram poucas. Ele até havia tido cachorros no passado, mas nunca havia se ligado de tal forma a esses seres tão especiais, como depois que começamos a nos relacionar.
Depois que me casei, deixei pra trás, na casa da minha mãe, a Lara, uma poodle velhinha, e o Ed, um garboso e jovem dálmata fígado.
Sempre ía a casa da minha mãe vê-los, mas não era a mesma coisa. E mais do que apenas deixá-los na casa da minha mãe, era ter nesse espaço, uma vida inteira de lembranças maravilhosas com todos os meus cachorros... e isso eu não possuia na nova casa.
Comecei e pensar na hipótese de pegarmos um cãozinho pra criarmos em nosso apartamento, e falei com Frede sobre o assunto, que aceitou sem titubear.  Só que ele "impôs" uma condição: que deveria ser um beagle. Nós já havíamos tido contato com uma beagle muito danada, porém muito amada, que tínhamos na casa dos meus pais, a Nina.
Ela havia morrido há poucos meses de leishmaniose, muito precocemente, com apenas 1 ano e 11 meses, às vésperas de seu segundo aniversário (mas isto é um outro capítulo da minha história com os cães, que pretendo contar ainda)...
Nina era o "demônio" em forma de cachorro, mas também, o "demônio" mais doce que pudera existir na face da terra.
Devido a essa característica inigualável, Frede disse que nunca em sua vida conhecera um cachorro "tão legal quanto a Nina", e quis se atrever em trazer um da mesma raça pra dentro de nosso apartamento.
Começamos a busca por um beagle, que aqui na nossa cidade (BH) não é tão fácil de se encontrar, ou pelo menos na época, não era. Achei um canil num bairro daqui, onde tinham várias raças de cães.
Cheguei a pensar em trazer um Lhasa Apso, que era um cachorro bom pra apartamento, latia pouco, ou até mesmo uma poodle, ma sele não quis! Disse que só traria se fosse um beagle!
Lá tinham dois beagles bicolores, assim como a Nina; um macho e uma fêmea. Já sabíamos que queríamos uma fêmea, por ser mais educada e obediente, e também por não levantar a perninha pra fazer xixi, rs. O macho que tinha lá, era muito mais bonito, mas levamos a única fêmea que tinha lá, que já possuía um nome em seu de pedigree: Doroty.
Levamos a Doty pra casa, compramos tudo o que tinha direito pra ela, a adotamos totalmente. Mas ela era iguala Nina, em se tratando de comportamento, o meu chão era branco, e aqui não tinha bem um quintal, como na casa dos meus pais, apenas uma área privativa. Eu não imaginava que não teria estrutura para aguentar tudo isso dentro de um apartamento, e praticamente sozinha.
Ficamos uma semana com a Doty, e a devolvemos para o canil. Já voltei de lá chorando, pois afinal já havia tomado amor pela bichinha... e em prantos fiquei por dias, semanas... até que Frede, já não suportando mais essa angústia, resolveu que iríamos pegar outra cachorrinha. 
Resolvemos procurar uma amiga que tinha muitos cachorros em sua casa e estava doando alguns, inclusive adultos. Ligamos pra ela e perguntamos se ela estava doando a Cindy, uma beagle de 5 anos e ela nos disse que podíamos buscá-la. A casa dela é em Betim cidade vizinha da região metropolitana de BH, longe pra burro. Mas no outro dia de manhã fomos e buscamos a Cindy. Chegando aqui tentamso agradá-la de toda forma, mas até subir as escadas do prédio ela se recusou. Recusou ração, queria apenas comida de humano. E percebemos que ela ficava o tempo todo em pé próxima a janela, querendo ir pra fora. Vimos que já era uma cachorra que estava acostumada a morar me casa, com quintal e vários amigos caninos, e que a faríamos sofrer se a deixássemos presa em um apartamento, com duas pessoas que saiam durante o dia para seus compromissos diário.
Voltamos à Betim, e devolvemos Cindy pra nossa amiga. Fiquei arrasada.
Frede deu ideia de olharmos num dos outros poucos canis de beagles que haviam em nossa cidade. Encontramos um outro canil em Betim, e resolvi ligar pra lá, perguntando se tinham filhote de fêmea pra vender. O dono do canil me disse que sim, que era bicolor, a maior da ninhada, e a mais calminha, mas que era pra ir rápido, porque já havia uma senhora interessada nela. No dia seguinte fomos lá. Chegamos e nos apaixonamos por ela. Ela tinha medo de tudo, inclusive da gente... era uma Lady. Daí resolvi chamá-la de Lady. Mas não achava que soava bem, e troquei para Linda. Mas ainda não era um nome que havia me convencido... resolvi fazer uma enquete na família, quando meu irmão apareceu com o nome Zara: achei perfeito, e soou super bem!
Zara era muito medrosa, e corria da gente dentro do apartamento, de medo. Demorou uns 3 dias pra se acostumar com a gente. Mas também, quando se acostumou, ficou grudadinha com a gente... era nossa filhinha, nossa primeira filhinha, era assim que a tratávamos desde sempre.
Era interessante, porque ela sempre teve um temperamento calmo, previsível, e ainda por cima medrosa, diferente de tudo quanto era beagle que eu já ouvira falar nessa vida. Com o tempo foi se tornando mais e mais amada por mim, pelo Frede, e por toda minha família. Se tornou a maior companheira que uma pessoa poderia ter, em casa e na rua, pois ela ía com a gente pra todos os lugares em que podíamos levá-la. E se tornou grande amiga da Lara e do Ed, os nossos cães da casa dos meus pais.
Quando a Zara estava prestes a completar 2 anos, eu fiquei grávida. Descobri por um exame, que não era imune à toxoplasmose. Sabendo da nossa relação íntima com a Zara, pois até deitar na nossa cama nós deixávamos, minha médica pediu que, por precaução, eu a levasse por uns tempos pra casa da minha mãe.
E que depois que o bebê nascesse, ela voltasse a morar com a gente.
Nasceu o Vinícius!
Fui pra casa dos meus pais assim que saí da maternidade. E chegando lá, com aquele bebê todo enroladinho, parecendo um pacotinho, Zara nem ligou. Mas quando Vinícius chorou pela primeira vez, Zara ficou possessa! Latiu alto, rosnou, ficou nervosa. E eu, fiquei mais nervosa ainda com ela. No início foi um pouco difícil, porque tive depressão pós-parto, e tudo que a Zara conseguia pegar do Vinícius, ela destruía: comia sapatinhos, rasgava meinhas... mas com o tempo tudo foi se ajeitando, ela foi se acostumando ao novo membro da nossa família, que já era formada por nós 3, e agora tinha o quarto membro. E em contrapartida, Zara, com seu carinho habitual e incomparável, me ajudava com a depressão.
Hoje Vinícius tem 2 anos e Zara tem 4. Os dois se amam! Hoje quando chegamos a casa de meus pais, ela pula e faz festa primeiro para o Vinícius, antes de fazer para mim e para o Frede. E tem dias que nem pra nós a faz, só pra ele.
Ela não voltou pro nosso apartamento, porque vimos que a vida na casa da minha mãe, com seus irmãos caninos, com espaço de um terreiro pra ela correr, tomar sol etc, é muito mais divertida do que aqui. Mas vamos quase todos os dias lá para vê-la e levarmos o Vinícius pra brincar com ela (em com os outros dogs também!).
Vinícius é uma criança que já nasceu acostumado com os cães, e mais ainda, apaixonado por eles! Tenho certeza que essa experiência maravilhosa de conviver com a raça canina desde o útero, fará dele uma pessoa bem mais atenta, sensível, um ser humano melhor que outros que não têm essa oportunidade.
E a Zara, o que dizer dela?
É a gorda mais linda, preguiçosa, assanhada que conheço. É a beagle mais comportada desse mundo, mesmo tendo seus momentos de "levadice". É a companheira mais fiel, amiga e amada de todo o universo.
E além de todas essas coisas, ela me trouxe de presente uma das minhas melhores amigas humanas, que é a Fernanda, dona de um lindo beagle macho paulistano, o Téo. A história da nossa amizade se deu graças a esses dois anjos caninos!
Pensem que presente maravilhoso, além da presença deles, ganhamos?! Talvez nem tívessemos nos conhecido...
O que posso dizer, é que, os cães tem uma missão maravilhosa, que é ensinar o amor, ensinar o homem a ser mais humano, mais sensível.
Os cães amam, simplesmente!..
E quem dera que os homens tivessem metade da lealdade, e da humanidade dos cães... ah, o mundo certamente seria outro..."


Essas duas, Dé e Zarinha, são impagáveis!!!


Equipe Cão Sem Fome

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