segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Os primeiros dias do resto das nossas vidas...

Se você adotou um cachorro de rua, ou de um abrigo, PARABÉNS!! 
Você terá um novo e fiel amigo para encher a sua vida de alegria.
Que um cão adotado é mais amoroso e mais agradecido, não se discute, mas uma coisa que as pessoas esquecem é que tanto o dono, como o animal precisam de um período de adaptação para essa nova relação.
Você tem que estar preparado para mudanças na sua casa. Ela não vai ficar mais limpa como antes, pois o cão demora um pouco até aprender onde pode fazer suas necessidades fisiológicas. E, diga-se de passagem, isso acontece com a chegada de qualquer animal em casa, seja ele comprado, adotado, vindo de pet shop, de abrigo, seja de raça ou srd (sem raça definida), o que for!
Cães soltam pelo, correm pela casa, derrubam coisas, fazem barulho, latem, pulam nos móveis, roem coisas. Aos poucos, o dono vai impor os limites, vai educar o animal, mas é necessário muita paciência, principalmente nos primeiros dias para não assustar o animal.
Cachorro e dono têm de ser conhecer e conhecer leva tempo. Por enquanto, tudo será estranho para ambos e muito mais difícil para o animal.
Ao adotar um cão que já foi abandonado, lembre-se que você está adotando alguém que tem um passado e que poderá reagir de forma inesperada a situações aparentemente corriqueiras. 
Levará tempo até você descobrir do que ele tem medo, ou quando fica nervoso, como se expressa, portanto, tenha cautela. Um cão inseguro, em um ambiente ainda novo, repetirá os velhos comportamentos até que se sinta amparado e amado. Até que viva uma nova experiência.
Se ele estava acostumado a reagir com violência em determinada situação, ele continuará fazendo assim, até perceber que não está mais ameaçado e que não precisa mais se proteger.
Isso não significa que esse animal é agressivo. Apenas significa que ele ainda não está adaptado à nova realidade e precisa de carinho e cuidados para entender que não será abandonado ou ameaçado novamente. Da mesma forma que ele precisou aprender a se proteger, ele vai precisar aprender a confiar.
Um comportamento um pouco agressivo no início, medo, retraimento, falta de integração com a família ou até fugas são comportamentos normais nos primeiros dias e não devem ser determinantes para uma devolução ao abrigo, ou pior ainda, às ruas.
Cabe ao adotante, com paciência e cuidados, evitar situações de confronto enquanto o  animal ainda não se sentir seguro. 
Em poucos dias com carinho, comida e cuidados, esse animal vai se sentir em casa e será um grande companheiro. Estejam certos disto!
Algumas dicas podem ajudar você e a sua família a conviverem bem com seu novo amigo nesses primeiros dias:
- Lembre-se que para ele tudo é novo. Para vc, somente ele! Ele talvez não conheça metade das coisas que você tem na sua casa. Não o assuste. Deixe-o a vontade para explorar o ambiente.
- Nunca bata ou agrida esse animal, principalmente nesse período inicial. Evite gritos ou gestos bruscos que o cão possa interpretar como uma ameaça. O carinho é a melhor forma de educar e ele precisa adquirir confiança em você.
- Muitas pessoas usam pedaços de jornal enrolados que fazem barulho, para ensinar o animal a fazer xixi e cocô no lugar certo. Mostrar para um animal algo que não vai machucá-lo, mas que se pareça com uma arma nesse período é uma temeridade. Ele poderá interpretar isso como um ataque.
- Cães são territorialistas. Tanto que, cães machos tendem a marcar território levantando a perna  para urinar, o que pode causas muito desconforto aos donos. Portanto, separe um cantinho para seu cão e deixe-o lá em paz, reconhecendo seu novo ninho o tempo que desejar. 
- Cuidado redobrado para evitar fugas, pois nos primeiros dias os cães tendem a querer escapar. Não por estarem insatisfeitos e quererem voltar para as ruas, mas porque não reconhecem a sua casa ainda como seu território. Tranque janelas, e nunca deixe portas abertas.
- Nunca mexa nos brinquedos, comida ou água de um cão. Para alguns, não faz diferença, para outros sim e o seu novo amigo poderá reagir com violência e até morder, defendendo aquilo que julga ser dele e que, na interpretação dele, você quer tomar.
- Atenção redobrada com as crianças. Elas têm de aprender a lidar com os cães também. Não permita que gritem ou assustem um cão. Puxões de orelha, no rabo, montar em cima e tapas, são comportamentos que machucam e vão despertar o instinto agressivo de qualquer cão, por mais dócil que seja.
- Respeite os medos do animal, você não sabe o que ele já passou. Se ele tem medo de fogos de artifício, ajeite um canto para ele se sentir protegido em dia de jogos ou festas. Ele pode ter sido vítima nas ruas de ataques com bombinhas ou coisa pior. Se tem medo de chuva, não o deixe ficar ao relento, ele deve ter passado muitas noites ensopado procurando em vão um abrigo.
-Esteja atento. Esse cão pode reagir de forma totalmente inesperada em qualquer situação. Ao ouvir uma frase qualquer poderá sentar, deitar ou dar a pata. Você não sabe de onde ele veio e que tipo de educação ele teve. Da mesma forma ele pode agir de forma violenta por uma coisa aparentemente sem importância. Teste e observe sempre com cautela.
- Um cão que passou fome, pode roubar comida. Não deixe comida, carne ou laticínios ao seu alcance. Se ele pegar algo da mesa, ou de cima da pia, repreenda-o com firmeza e vigie seu comportamento. Nunca, em hipótese alguma, deixe-o de castigo, amarrado ou sem comer, essa atitude além de cruel e desumana, apenas irá reforçar no cão a mesma situação que ele já viveu, e portanto ele vai entender que nada mudou, e que ele terá que continuar roubando para sobreviver.
- Os cães reconhecem as pessoas pelo cheiro. No início deixe o animal cheirar as pessoas da casa, antes de passar a mão no animal. Muitos animais de rua foram agredidos e não aceitam carinho no começo, se encolhem, rosnam e até mordem. Isso vai passar à medida que ele reconhecer as pessoas como amigas.
- Mesmo que você queira um cão para ficar dentro da sua casa, essa convivência tem que ser incorporada aos poucos. Será bom para você e para seu cão limitar esse contato a algumas horas por dia e ir crescendo gradualmente a cada dia. É um tempo para o cão entender o mecanismo da sua casa e você se adaptar à presença dele. Crie hábitos e tenha bom senso. Ele não vai entender se você o deixar um dia todo dormindo na sua cama e no dia seguinte, só porque está de mal humor, o colocá-lo no quintal sozinho. 
Cães precisam de rotina, coerência e regras bem definidas, do que podem e do que não podem fazer para não se sentirem perdidos.
Com esses cuidados e muito amor, você e seu cão passarão um início de relacionamento sem grandes transtornos e se tornarão cúmplices e amigos para o resto de suas vidas.

Glaucia Lombardi

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Equipe Cão Sem Fome

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