quinta-feira, 28 de março de 2013

Leishmaniose - o cão não é o vilão


Na última terça feira dia 26/03, Glaucia, a coordenadora do Projeto, esteve no seminário sobre Leishmaniose organizado pela ONG Ampara Animal, com a participação da ONG Arca Brasil e o palestrante Dr André Luiz Soares da Fonseca.


Com uma linguagem acessível, o Dr Andre Luiz prendeu a todos até as 22:30, dando explicações muito importantes para protetores, veterinários e donos de cães sobre essa doença.

O Cão Sem Fome traz para vocês algumas informações importantes sobre esse tema através deste texto, escrito pela própria Glaucia.

A nossa política pública de saúde hoje faz eutanásia em animais portadores da Leishmaniose. Significa que, se o veterinário descobrir que seu cãozinho foi infectado, ele é obrigado a comunicar os órgãos competentes que irão em sua casa buscar o animal para ser eutanasiado.
O Brasil é o único país que age dessa forma, então nossa luta na proteção animal é pelo direito de tratar a doença. Ou seja, se você é um dono que tem condições e quer tratar, hoje você não pode. Não são fabricados, nem importados, no Brasil, remédios específicos para a Leishmaniose.
A ONG Arca Brasil está fazendo uma campanha para mudar essa lei.
Objetivos da campanha
- Revogação da portaria Interministerial 1426/98 (que proíbe o tratamento dos animais infectados ou doentes).
- Revisão do atual programa de vigilância e controle da Leishmaniose Visceral, dando ênfase ao controle do mosquito vetor.
- Proteger e defender os direitos dos animais, em particular o cão, hoje um membro da família.
Esse último item particularmente, vem de encontro aos valores do Cão Sem Fome, que busca um acolhimento amoroso e digno a todos os animais, entendendo que vivemos uma mudança social onde os pets passaram a ser membros da família.
Apenas com a união de todos podemos sensibilizar as autoridades sobre o tema. 
Você pode assinar a petição no site: http://www.ocaonaoeovilao.org.br/Peticao/

A Leishmaniose é transmitida através da picada de um mosquito e não pelo cão. 
Portanto, a solução é acabar com o mosquito e não matar o cachorro.
Nos últimos 50 anos, as políticas públicas de combate à Leishmaniose no país têm se caracterizado por privilegiar interesses econômicos e políticos e não o foco da doença que é o mosquito.
O resultado é um programa ineficaz, com condutas limitadas e insuficientes, punindo os animais – em especial o cão – desperdiçando recursos importantes e colocando em risco toda a sociedade.

A Leishmaniose é uma zoonose, que ataca mamíferos em geral. Dentro dessa visão, qualquer mamífero infectado pode ser transporte da doença, inclusive nós seres humanos.
Ela não é contagiosa por contato. Uma pessoa pode passar o tempo todo fechado no quarto com um cão infectado que não irá pegar a doença, se não houver o mosquito transmissor.
É uma doença negligenciada porque ataca as camadas mais humildes da sociedade. O mosquito gosta de lixo, de terra e árvores e é encontrado nas áreas mais pobres e abandonadas.
A doença é sexualmente transmitida, portanto a castração impede a sua proliferação.

A prevenção ainda é a melhor solução. O mosquito gosta do crepúsculo, portanto evite sair com seu cão ao nascer ou por do sol. Não leve seu cão para áreas ou cidades infectadas. 
Informe-se!
Coloque telas nas janelas e espalhe vasos de citronela no quintal.
Limpe o quintal: remova folhas caídas, fezes de animais e, principalmente, lixo.
Também é interessante colocar no seu animal coleiras, sprays e outros tipos de repelentes. A vacina existe e pode ser aplicada a partir dos 4 meses de idade. Como as outras vacinas, o cão deve ser revacinado anualmente.

Se o seu animal for infectado, você pode entrar na justiça pelo direito de tratá-lo. No site da Arca Brasil você encontra orientações jurídicas para isso: http://ocaonaoeovilao.org.br/acampanha.html
Também é importante saber que NINGUÉM pode tirar um animal de dentro de sua casa ou terreno sem um mandado de segurança, o que lhe dará tempo de se defender. 
A eutanásia de uma animal só pode acontecer com a permissão de seu dono. 
Defenda-se! 


O Cão Sem Fome apóia a Campanha da Arca Brasil e parabeniza a todos envolvidos por essa iniciativa.
Está na hora de mudar a legislação e acabar com a morte de tantos cães indefesos. Existe tratamento e nós queremos o direito de tratar nossos animais com a dignidade e o amor que eles merecem.
Entre no site da Arca Brasil e participe dessa Campanha. Você doa alguns minutos do seu tempo e poderá salvar muitas vidas.

Glaucia Lombardi
Coordenadora do Cão Sem Fome

Um comentário:

  1. Parabéns pela postagem. Quanto mais falarmos sobre essa questão, melhor. Avanços só virão enquanto não se deixa o assunto morrer. O poder público não pode fingir que o problema não existe e mais cedo ou mais tarde terão que apresentar planos para o tratamento/acompanhamento dos animais contaminados pelo mosquito pelo descaso das autoridades sanitárias.

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