domingo, 14 de julho de 2013

Bastidores de um Evento de Adoção

Um evento de adoção é um excelente termômetro de como a nossa sociedade encara o convívio com os animais.

O maior problema ainda é o preconceito contra os animais sem raça definida. A Campanha “Adote essa Ideia” do Cão sem Fome, visa conscientizar as pessoas e incentivar adoções.

Nesse sábado, dia 13 de julho, fizemos o lançamento oficial da Campanha com um Evento de Adoção e posse responsável.

Depois de um dia inteiro de visitas tivemos dois filhotes adotados.

É quase cultural o fato das pessoas sempre preferirem filhotes. A explicação mais comum é que o filhote vai ser ensinado desde pequeno, para “pegar o jeito da casa” e ser educado de acordo com os costumes do novo dono. O que todos se esquecem é que o filhote chora, faz mais sujeira, destrói coisas, precisa de mais cuidados que geram mais custos e demoram muito mais para aprender. Um cão até um ano ainda é um bebê, e oferece inúmeras vantagens: Tende a ser mais calmo, aprende mais fácil, não chora, já demonstra o seu temperamento, não cresce mais... Porém nenhum cachorro com essa idade foi adotado, infelizmente.

Um casal chegou pedindo uma cachorra nova, com menos de 10 Kg. Nós apresentamos uma das cachorrinhas disponíveis nesse perfil. Depois de algum tempo, de afagos, colinho e conversa, o marido diz que não pode adotar porque os dois trabalham o dia todo e ele vai ficar com dó de deixar a cachorra sozinha em casa. Apesar de explicarmos que o cachorro se acostuma, e que ele teria mais dó ainda se visse o lugar de onde a cachorra veio, ele foi categórico que “Não podia fazer isso com um animal.” Na saída ele pergunta: Vocês não me arrumariam um yorkshire?

Por quê? Um yorkshire ele teria coragem de deixar sozinho o dia todo?

Esse é um dos exemplos do quanto o preconceito contra cachorros sem raça definida, contribuem para o abandono animal.

Enquanto vira-latas lotam os abrigos, mesmo tendo o perfil procurado pelo adotante, fábricas de animais são alimentadas por esse tipo de mentalidade.

Um tipo de conflito muito comum é quando alguns membros da família querem o animal e outros não. Nesse tipo de evento podemos presenciar maridos e esposas discutindo pela adoção de um animal em uma verdadeira “queda de braço”.

Pais e filhos protagonizam um capítulo a parte: De um lado crianças que prometem tudo para conseguir um cãozinho, tirar notas melhores na escola, dormir mais cedo, e claro, ajudar nos cuidados do animal. Do outro, pais categóricos que dizem que os filhos não cuidam nem de si mesmos... Cuidar de um animal é um excelente exercício de cidadania responsável para se dar á uma criança. Além do senso de responsabilidade, o convívio com um animal dá grandes retornos afetivos, trabalhando o emocional de toda a família.

Esses benefícios se estendem a um animal adotado por um casal. O prazer de cuidar, passear, dividir as tarefas diárias aproxima as pessoas, desde que ambos estejam a fim dessa experiência.

Nos dois casos, apesar de torcermos para que o animal seja adotado, aconselhamos as pessoas a discutirem a situação em família e só adotarem após a chegada de um consenso. É importante que toda a família esteja envolvida e de acordo com a adoção, caso contrário a possibilidade desse animal ser devolvido e, em péssimas condições é grande.

O “Adote essa Idéia” deu o pontapé inicial para discutir a questão da adoção e posse responsável. Esperamos com isso conscientizar cada vez mais pessoas, pois esse é o único caminho para diminuir o abandono animal.

Adote essa Idéia!
 
Os peludos abaixo ainda não conseguiram um lar. Vamos divulgá-los?
Priscila, um ano e meio, castrada, vacinada. Inteligente, obediente e dócil. Porte médio, não cresce mais.
 
 
Max, um ano, porte médio, não cresce mais, castrado, vacinado. Temperamento muito dócil, calmo,  se dá bem com crianças.
 
 
Sara, 9 meses, porte pequeno, não cresce mais. Vacinada e castrada. Alegre, sapeca, precisa de mimo e carinho. Prefere ser filha única.

2 comentários:

  1. Se eu pudesse, adotaria todos. Adotei minha Pekinha, uma filhota peluda, uma SRD maravilhosa que não troco por cão de raça nenhum. Acho que quem tem preconceito não gosta realmente de cães; estas pessoas querem um enfeite a mais em casa, um bibelô. Pessoas assim não deveriam adotar/comprar nunca.

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  2. É duro administrar a frustração né? Admiro vocês que não desistem. Parabéns mais uma vez! Estou torcendo muito pela Sarinha pra que encontre logo um lar definitivo, e não precise ficar emburradinha na gaiola nunca mais. Abraço grande!

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