sábado, 11 de janeiro de 2014

Protetores de Animais não são Eternos

Infelizmente a morte de um Protetor de animais significa quase sempre o abandono dos seus protegidos.
Na maioria das vezes esses Protetores são pessoas sozinhas e raramente seus herdeiros assumem para si essa responsabilidade.
Quantos apelos recebemos com a mesma história... “Minha mãe morreu, meu pai vem morar comigo e não pode trazer os cachorros.”
Simplesmente os herdeiros descartam os animais como se fossem parte da mobília velha.
Às vezes a mãe tinha dois cães, três... mas, e no caso de um Protetor que cuida de muitos animais?
O que se vê é de um dia para outro, 30, 50 ou 70 animais, ficarem sem abrigo e sem sustento...
Esses animais ás vezes são jogados na rua, em matagais ou em terrenos baldios bem longe de casa, para não conseguirem voltar.
Alguns são abandonados de forma bem covarde, na porta de outras pessoas ou de Protetores.
Isso provavelmente foi o que aconteceu esses dias no Quintal da D Silvia. Ao abrir a porta de manhã, por dois dias consecutivos encontrou engradados de madeira, formando uma gaiola, com nada menos do que 16 animais de várias idades. Um morreu devido aos maus tratos, calor e condições em que foi “empacotado”.
Essas pessoas acabam apenas delegando o problema para um coitado, que não tem nada a ver com isso, e que herda de uma vez só 16 cães.
Abandono em Pet Shops também é comum. Levam os mais bonitinhos para tomar banho e se despedem deixando um nome e telefone falso.
No caso da morte de um Protetor pipocam apelos nas redes sociais. Geralmente a família ou dono da casa estabelecem dias para a retirada de todos os animais, “senão vão para a rua”,
Como assim? Abandono é crime e “vai para a rua” não deveria nem ser opção, muito menos em tom de ameaça na rede social.
Então se alguém não cuidar rápido de um problema que é seu, você vai cometer um crime? É isso?
Falta punição severa, da mesma forma que faltam órgãos competentes que tivessem uma atuação eficaz nesses casos, oferecendo lar temporário para esses animais e apoio às famílias para adoção e castração.
Com a omissão dos governos e uma legislação vergonhosa o que impera é a lei da crueldade. Dezenas de animais indefesos e inocentes jogados na rua, despejados nas portas dos outros e abandonados em pet shops.
Neste sábado presenciamos mais um caso. Uma protetora que cuida de mais de 30 animais morreu e os animais ficaram sozinhos em um terreno da periferia. Pessoas comovidas com a situação estão fazendo “vaquinhas” para alimentá-los. Nesse caso, não há herdeiros, responsáveis ou tutores. De quem são os cães?
São de toda uma sociedade que insiste em ignorar o problema do abandono de cães e gatos em nossa cidade.
Enquanto os órgãos públicos são ineficazes e a Prefeitura não apresenta soluções para o problema, a quantidade de Protetores e Acumuladores crescem a toda velocidade em todos os lugares. Em cada bairro tem “uma senhorinha que pega cachorro de rua”. E se ela não pegasse? Como ia ser?
Se todos os Protetores e Acumuladores da cidade de São Paulo abrissem suas portas ao mesmo tempo e soltassem TODOS os seus animais, parariam São Paulo. Provocariam um caos maior do que qualquer passeata já vista.
Só que Protetores não são eternos. Enquanto o governo insiste em delegar suas responsabilidades para essas pessoas, estão maquiando o caos urbano que estamos vivendo com níveis absurdos de abandono e cães e gatos se reproduzindo por todos os lados.
Quando um Protetor morre, ele deixa um legado para toda uma sociedade. Um legado que late ou mia, come e solta pêlos.

Resta a essa sociedade começar a cumprir o seu papel.


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