sábado, 15 de fevereiro de 2014

Violência contra animais – O problema também é seu.

  


Aconteceu essa semana com uma Protetora parceira do Cão sem Fome. Uma mulher mantinha um cão de porte grande, já pele e osso, com enforcador e corrente curta, que não permitia que ele se mexesse direito, sem água ou comida, debaixo do sol escaldante de mais de 35 graus desse verão.
A Protetora indignada com a situação foi falar com a mulher, tentando explicar que ela não podia manter o animal naquelas condições. Foi agredida verbalmente e fisicamente, dando origem a algumas contusões e uma briga que acabou no meio da rua, na frente de toda a vizinhança. A policia foi chamada (e apareceu horas depois) e a briga recomeçou, com a mulher dando murros e chutes no portão da casa da Protetora.
A polícia constatou os maus tratos, mas disse que não podia fazer nada. Ao contrário, tirou a razão da Protetora que foi agredida dentro da casa da mulher, portanto isso caracteriza invasão de domicilio.
O cão continuou nas mesmas condições e a policia encaminhou o caso para a veterinária da sub prefeitura que veio no dia seguinte, juntamente com o representante de uma ONG que constatou os maus tratos e encaminhou a queixa para a zoonose que deu 30 dias para visitar o local.
O cão continuou nas mesmas condições, e as “autoridades” continuaram no joguinho de empurra, empurra sem tomar nenhuma atitude para salvar a vida do animal.
Não é necessário mencionar que mais 30 dias nessas condições, provavelmente o cão não sobreviveria.
A Protetora então pede ajuda de um veterinário do bairro, que consegue interferir e resgatar o animal da tutora, encaminhando-o à sua clinica particular. O cão foi internado, medicado, constatado que está com problemas de saúde devido à falta de comida e maus tratos.
Porém, o veterinário tem uma clinica particular, que cobra uma diária de R$100,00 e agora a conta já beira os R$1.000,00.
De quem é essa conta? Para onde vai o animal? Isso ainda não se sabe, mas o que gostaríamos de refletir aqui é a questão dos maus tratos na nossa sociedade.

Que os mecanismos públicos existentes para coibir essa violência são burocráticos e incompetentes, isso é claro, não só nesse breve relato, como em muitos casos. Se você tentou algum dia fazer uma denúncia, já sabe disso.
Porém, além da ineficiência dos órgãos públicos, por trás da violência existe toda uma sociedade que compactua com ela.
Essa mulher tem família, tem amigos, tem vizinhos, que assistem à essa violência todos os dias de braços cruzados. Ninguém se envolve. Todos se omitem, pois acham que o problema não é seu.
Essa situação é mais comum do que se imagina. Até em famílias consideradas esclarecidas, vemos pessoas fazendo vistas grossas para todo tipo de violência contra os animais.
É o tio que tem mania de caçar passarinho nas redondezas e colocar em gaiolas. A família não gosta, mas não faz nada. Ele tem esposa, filhos, parentes que ficam incomodados com a situação, mas não destroem as gaiolas, não chamam o homem para uma boa conversa, não soltam os animais. Não querem arrumar problema na família... Porém, toda vez que você aceita que um crime seja cometido do seu lado, isso faz de você criminoso também.
Ás vezes é o caseiro do sitio que não dá comida para a cachorra, mas você que é dono do sítio, acha que isso não é dá sua conta e permite que um animal morra a míngua na sua propriedade. Sim, você também é responsável por essa vida. Se você não chama o seu funcionário à responsabilidade, se você não interfere na situação, se você não se preocupa em saber que tipo de vida esse cão está tendo na sua casa, você está matando também.
Alguém no trabalho comenta que vai viajar e vai largar o seu animal porque não tem quem cuide dele. Se você achar normal e não tentar conscientizar essa pessoa que abandono é um ato cruel e desumano e que abandonar é matar aos poucos, você também é responsável por esse abandono.
O seu marido está incomodado com os gatos ou pombas da vizinhança e coloca veneno para matá-los. Se você não tenta intermediar um acordo com os vizinhos, se você permite a matança dos animais, se você não toma atitude nenhuma, você também está assassinando, mesmo que venha com as desculpas costumeiras: “Meu marido não me ouve”, “Eu já falei que não tenho nada com isso.” “Meu marido que é o culpado, por mim as pombas continuavam lá”.
Você visita um amigo e vê o animal maltratado, magro, amarrado no sol. Você pode conversar com essa pessoa, oferecer ajuda, explicar que essa condição é desumana, que o animal também sofre como nós. Você pode desamarrar o animal, oferecer comida, dar sugestões e até se oferecer a ficar com ele ou sugerir que ele seja colocado para adoção. Mas, se você passa reto e ignora a situação, você também é responsável por esse sofrimento.
Todas as vezes que casos como o relatado acima vem à tona, eu fico pensando: Em que mundo essa mulher vive? Ninguém à sua volta tentou interferir a favor desse animal? São todos loucos, assassinos cruéis ou simplesmente um bando de acomodados e egoístas que só pensam em si mesmos?
A violência contra o animal está mais perto do que pensamos, às vezes no seu próprio quintal, ás vezes na casa da sua família ou do seu amigo.

E você vai continuar compactuando com isso ou vai mudar de atitude?

Um comentário:

  1. Cara Glaucia, o fato de que após mais de 2 meses esse seu post não teve qualquer comentário diz tudo, não é? Infelizmente a maioria das pessoas, e mesmo aqueles que se dizem defensores e ativistas em prol dos animais, acredita que a crueldade contra os animais e outros fracos e indefesos não é problema seu. Mas o que importa é que haja pessoas como voce q denuncia e atua contra esse tipo de coisas. Vamos continuar denunciando, agindo e lutando pelos animais. Boa sorte na sua cruzada. Eu da minha parte faço o pouco que posso. Se não se importa vou partilhar o seu texto no meu face. Se preferir q eu não o faça, por favor é só me dizer. Vicky Marinho.

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