sábado, 23 de agosto de 2014

Voluntários de Frente


De todos os trabalhos no Cão sem Fome, sem dúvida o mais difícil é o do voluntário que atua diretamente nos Quintais, pois ele convive de perto com o abandono dos animais, os problemas dos Protetores e a situação crítica do ambiente.

Muitas pessoas se cadastram querendo trabalhar com os cães, porém para atuar nos Quintais só são escalados voluntários preparados e selecionados, entre aqueles que já atuam no Projeto.

Primeiro, porque a realidade de um Quintal de animais é muito dura e poucas pessoas estão preparadas emocionalmente para conviver com ela.   Segundo porque o Cão sem Fome não tem abrigo próprio. Os animais ficam na casa dos Protetores e como em toda casa que se entra, devemos respeitar a privacidade do morador.

Um Quintal também não tem estrutura para visitação pública. Pessoas estranhas deixam os animais agitados, nervosos. Os cães latem, fazem barulho, incomodam a vizinhança que depois vem reclamar com o Protetor. Ou às vezes brigam entre si, por causa de atenção ou ciúmes, destroem portões, querem escalar alambrados... Muitos animais tem traumas, decorrentes do abandono, então para lidar com esses animais é necessário muito tato e preparo.

Além de tudo isso, temos que proteger os Protetores, porque há pessoas que se passam por voluntários apenas para conhecer o espaço e depois desovar mais cachorros ainda na porta do Protetor, ou mesmo, se acham no direito, de levar um ou outro cão, que encontram abandonado.

Por todas essas razões, só vamos nos Quintais para realizar ações que beneficiem os animais: Ações de saúde, que precisam de assistentes e veterinários voluntários. Mutirão de banho e tosa, que precisa de tosadores com prática, que saibam lidar com os animais, ou campanhas emergenciais, onde escolhemos o perfil certo de voluntário que necessitamos naquele momento.

Também há mensalmente visitas para abastecer os Quintais com a ração doada e verificar as necessidades urgentes de cada local, mas esse controle é feito pessoalmente pela coordenadora do Projeto e uma equipe de confiança.

O que esses Voluntários de Frente vivenciam? Lidam com a morte, com doenças, com pulgas e carrapatos, com vítimas de maus tratos e abandono. Mas também assistem de perto lindas vitórias: Cães que chegam doentes e se curam. Cães que chegam magrinhos e desnutridos e engordam, ficando bonitos novamente. São esses voluntários que apreciam de perto esses animais sofridos descobrirem o carinho, os cuidados e a confiança nas pessoas. São eles que vêem esses cães vivendo felizes nos próprios Quintais que os acolheram, ou os que são adotados, fazendo famílias felizes.

Também vivenciam o dia a dia dos Quintais, com todos problemas que ocorrem e buscam soluções. São eles que analisam quais animais tem condição de serem preparados para adoção, quais as situações mais urgentes que precisam de uma interferência do Projeto e quais as necessidades individuais de cada Quintal. 

Além de zelar pelos animais, esses voluntários precisam também saber lidar com os Protetores, em uma relação de parceria  e respeito mútuo onde todos trabalham pelo bem dos cães acolhidos.
É o trabalho do Protetor, junto com esses Voluntários de Frente que salva vidas e mantém um acolhimento digno para os animais. 

São esses Voluntários que fazem a sua doação chegar até os peludos necessitados, levando comida, cobertas, jornal, casinhas e tudo que nos é doado. São eles também que levam carinho, colo, cuidados e proteção aos peludos carentes.

Mas esse trabalho não é nada fácil e exige muito tempo e dedicação. Os Voluntários de Frente têm um calendário de responsabilidades com os Quintais e têm que cumpri-las nos dias e prazos estipulados. Há um cronograma para levar vacinas, remédios e ração para abastecer os Quintais,  que exige um grau de comprometimento muito grande dessas pessoas.

Neste mês do voluntário queremos agradecer aos Voluntários de Frente, que são responsáveis diretamente pelo bem estar dos nossos animais e portanto são a alma do Cão sem Fome.

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