quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Abandono – Faça parte da solução e não do problema.

No nosso último texto abordamos o problema do abandono e hoje quero falar sobre o que pode ser feito por pessoas de bem, que querem ajudar os animais.
Quando uma pessoa encontra um animal com problema o que ela faz?
Muitos fotografam e postam nas redes sociais, com pedidos de socorro.
Outros ligam para Protetores ou ONGS irem lá resolver o problema
Das duas formas a pessoa continua sendo um ser passivo à situação, já que quer passar o problema adiante e não resolvê-lo. Ajuda o animal aquela pessoa que toma uma atitude, que faz o que tem que ser feito, mesmo que dê trabalho e gaste seu tempo e dinheiro.
No primeiro caso, é covardia fotografar um animal acidentado, mutilado, ou faminto ao invés de acudir. Chamo isso de “Síndrome de Sebastião Salgado”, fotógrafo que saiu pelo mundo retratando pessoas em países em conflito. Se ele pode, né...porque eu não posso? Tenho um celular e uma desgraça na minha frente...basta fotografar e postar no facebook. Vão aparecer centenas de comentários do tipo “que dó” e “ coitado”, mas realmente, você acha que alguém vai sair da sua casa para ir até o tal endereço resgatar o animal, se você mesmo não o fez?
No segundo caso, a pessoa entra em contato com Protetores e ONGS. Se você acha que o Protetor pode fazer alguma coisa, acredite, você pode também.  Os Protetores e ONGS estão superlotados, graças às pessoas que abandonam, maltratam, mas também graças a todos que empurram mais e mais animais para eles, às custas de chantagens emocionais do tipo “ Se você não socorrer ele vai morrer”, ou “ Está na rua”, ou “ Vai pra rua se você não ficar com ele”. Ligar para Protetores para empurrar mais animais, não é fazer o bem, nem para o Protetor, nem para o animal.
Você pode achar que tirando o animal das ruas, fez a sua parte e salvou uma vida, mas está enganado. O problema nem começou ainda! Tirar um animal das ruas é arcar com uma responsabilidade que vai durar até o fim da vida daquele animal. Essa responsabilidade envolve custos (comida, castração, vacinas, tratamentos, remédios, veterinários...). Há pessoas que dizem que vão ajudar financeiramente, mas será que realmente sabem o que estão falando? Vão ajudar financeiramente pelos próximos 10 anos? O que acontece na prática é que as pessoas acabam ajudando um ou dois meses e depois somem... e o Protetor fica com toda a responsabilidade sobre aquele animal.
Não bastasse isso, há o problema de espaço. Quando as pessoas falam que moram em um apartamento pequeno, portanto não podem ficar com o cachorro, demonstram uma completa ignorância do que é um Abrigo ou a casa de um Protetor. São lugares minúsculos, onde cães ficam confinados em poucos metros quadrados e muitas vezes dividem espaço com outros tantos animais. Muitas pessoas se dirigem à ONGS e Protetores achando que sempre cabe mais um, afinal para quem tem tantos, pode muito bem acolher só mais esse. Você sabia que essas pessoas recebem dezenas de pedidos como o seu por dia? E se aceitassem apenas um, de algum amigo ou conhecido por dia, no final de um ano teriam mais 365 animais?
Cuidados, espaço... quem só se deixa levar pela emoção e se esquece do básico para o acolhimento digno de um animal acaba virando um colecionador, ou acumulador, que traz mais problemas do que benefícios para a sociedade e para a integridade física do animal. Essas pessoas que não sabem falar “não”, e não conhecem os seus limites acabam adoecendo, se isolando do mundo, comprometendo suas contas bancárias, sua família e desenvolvendo um desequilíbrio mental. Cuidador doente, tem animais doentes, maltratados, famintos, sujos e histéricos. É esse o destino que você quer para aquele animal que encontrou na rua?
Então chegamos ao ponto: A eficiência de uma pessoa que trabalha na causa animal não deve ser medida apenas pelo número de animais que ela acolhe, mas sim pelo número de pessoas que ela conseguiu fazer com que tomassem esta atitude.
Ajudar os animais é fazer a sua parte! Precisamos de gente de atitude. Quer ajudar? Resgate, cuide, castre e doe, mas faça esse processo até o fim.
Resgatou? Fotografe, conte o que você fez e conseguirá muitas pessoas para ajudá-lo. Você não tem lugar em casa? Arrume um cantinho provisório, uma lavanderia, um banheiro. É mais do que aquele animal tinha na rua, e provavelmente o mesmo que ele ia encontrar na casa de um Protetor.
Cuide. Leve ao veterinário, relate o seu caso. Você vai se surpreender com a quantidade de pessoas do bem que vai encontrar para te apoiar.
Castre. Isso é essencial! Impede novos abandonos e que mais e mais animais se multipliquem. Você realmente acha que precisa de mais cachorro e gato no mundo? Para cada cão que tem um lar, presume-se que há 10 nas ruas. Temos que conter essa superpopulação!
Doe! A doação exige paciência, pois pode demorar um pouco. Tire fotos bonitas, em ambientes agradáveis, anuncie nas redes sociais, conte a história daquele animal, fale com amigos, espalhe cartazes e com certeza você vai encontrar um lar para seu protegido.

Corremos o risco de não agradar algumas pessoas, mas não estamos focados nelas. Nossa atenção é para as pessoas do bem, que realmente querem fazer alguma coisa. Acreditamos que a maioria das pessoas são boas, só que muitas vezes ficam de braços cruzados, ou paralisadas pelo pessimismo e não conseguem agir. São as que acham que o mundo não tem solução, que não adianta tirar um cão das ruas, ou adotar, já que animais abandonados existem aos milhares. São essas pessoas que queremos estimular a ajudar. Um animal em sofrimento pode mobilizar grandes grupos e a internet é uma grande ferramenta para fazer o bem, quando é usada com inteligência e responsabilidade. Não se deixe ficar apenas na fase da indignação e do sofrimento. Vamos partir para a ação?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente!