terça-feira, 14 de junho de 2016

Frio que dói

Muito tem se falado do frio e das suas consequências para as pessoas e animais que se encontram em situação de rua. Se é cruel e desumano pensar neles enfrentando as temperaturas extremamente baixas nas ruas, também precisamos voltar olhares mais críticos para os animais que estão confinados em abrigos, que podem sofrer muito mais, dependendo do local que se encontram acolhidos.
Os cães que vagam pelas ruas têm como buscar um local mais aquecido, muitas vezes ficam embaixo dos carros aproveitando o calor do motor, ou dormem junto com o lixo, papelões e sucatas. Alguns são amparados por moradores de rua, se aproximam de fogueiras improvisadas feitas por essas pessoas e se nada disso acontecer, ainda tem a opção de passar a noite correndo e andando para se aquecerem. Muitos cães nessa situação tem o hábito de andar durante a noite e dormir durante o dia no sol para se manterem quentes. Apesar da vida miserável, da fome e do frio, esses animais podem se locomover e buscar socorro. Com sorte podem até encontrar uma garagem solidária para passar a noite ou o apoio de uma pessoa do bem que condoída pela situação os ampare.
E os cães confinados? A realidade da maioria dos abrigos é muito pior do que essa descrita acima, se é que isso é possível. Muitos cães ficam em baias minúsculas com chão de cimento ou piso frio. Como o nome já diz, a friagem que vem desse chão é insuportável e desencadeia várias doenças, entre elas a famosa tosse de canil e pneumonias. Poucos abrigos conseguem proteção de madeira, pallets ou algo parecido. Se colocam cobertores, eles não permanecem esticadinhos a noite toda...em pouco tempo os cães deixam o cobertor todo embolado, isso quando não é rasgado e picado, devido ao stress do animal. Muitas vezes a opção são jornais e papelão que se misturam com a urina do cão e ficam encharcados... e é em cima disso que eles vão passar a noite. Alguns locais são pequenos e o cão não consegue se mexer a ponto de se aquecer. E também não pode sair daí para procurar um local mais quente, já que está preso. A maioria dos abrigos só oferecem uma porção diária de ração, o suficiente para manter o animal vivo. Com a atual crise e a superlotação, essa ração com certeza não é uma quantidade generosa, então ele ainda tem fome e a fome faz com que o animal sinta mais frio.
Esse é o retrato das consequências do frio para os animais abandonados, estejam eles nas ruas ou em abrigos. Se fotos de animais de rua congelados circulam pela internet e chocam, acreditem que muitos animais também estão morrendo de frio em abrigos, sem nenhum alarde ou divulgação.
Cruel? Desumano? Mas muito real. Nenhum abrigo, lar temporário, ou mesmo nossos Quintais conseguem prestar um bom acolhimento a um cão com essas baixas temperaturas. A medida paliativa que adotamos no Cão sem Fome, além dos cobertores que duram apenas alguns dias e tem que ser repostos várias vezes durante o inverno, são as roupas para os cães que recebemos de doação, mas ainda assim são poucas perto da enorme necessidade. Corta o coração ter que escolher quem vai vestir uma roupa e quem vai passar frio, mas não há roupas para todos.
No nosso caso existe um olhar mais atento do Protetor, mas as condições são precárias e ainda estão longe do ideal. Aumentamos a quantidade de ração, quando conseguimos mais doações, para que os animais de barriga cheia sintam menos a queda da temperatura, mas o nosso consumo mensal já é de 4 toneladas. Um mísero aumento de 10% na ração, que nem dá para sentir no organismo já significa mais 400Kg! Um gasto a mais, muito pesado em uma época de poucas doações.
Todos abrigos estão superlotados e os poucos recursos arrecadados estão sendo usados para os animais não passarem fome. A situação é alarmante e não estamos dando conta do tamanho do abandono que estamos presenciando. Precisamos de políticas públicas sérias para conter e punir o abandono e os maus tratos, ênfase na castração para diminuir a população de cães e gatos e uma conscientização da sociedade em prol da adoção de animais abandonados.
Abrigo não é solução e quando passamos por uma situação como essa é que percebemos o quanto somos vulneráveis e como nossos recursos são míseros perto da grande necessidade que bate à nossa porta.
Os animais de rua, ou de Abrigos só podem contar com a solidariedade das pessoas e todos precisam muito de ajuda estejam nas ruas ou não.

Se quiser ajudar a amenizar o sofrimento de animais que estão na rua você pode:
- Abrigar um animal provisoriamente para ele passar a noite na sua garagem ou no seu estabelecimento comercial.
- Colocar uma roupa em um animal de rua.
- Alimentar um animal abandonado na rua.
- Promover na sua rua o acolhimento de um cão comunitário.
- Colocar casinhas em praças, terrenos, ou doar casinhas para locais como postos de gasolina que se prontifiquem a dar suporte para animais da região.
- Ajudar moradores de rua que tenham cães com castração, mantas, roupas e ração.

Para ajudar cães em abrigos você pode doar:
- Ração
- Jornais ou Papelão
- Cobertores e toalhas
- Roupas de cães (vários tamanhos)
- Casinhas
-Tapetes e placas emborrachadas

Para direcionar suas doações para o Cão sem Fome acesse nosso site onde você encontra os endereços dos nossos postos de coleta: http://projetocaosemfome.com/coletores-de-racao/
Vamos nos unir contra o frio, isso dói na alma!
Proteja um animal carente.






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