segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Era uma vez... Um padrinho e sua afilhada.



No dia 01/10  foi o lançamento do nosso Calendário Cão sem Fome 2017 em uma festa simples, mas com momentos únicos como o encontro do padrinho Sérgio com a sua afilhada Magrela. Vale a pena ler uma história tão emocionante!





"Quando as tias do Cão Sem Fome apareceram, logo cedinho, lá onde eu moro, já pensei... vieram buscar mais alguns dos meus auaumigos para tentar arrumar família para eles... tomara que consigam.
Meu nome é Magrela, sou uma vira lata de uns 8 anos – deve ser isso pelo que falam, talvez um pouco menos... nem eu sei direito.
Vim parar no abrigo depois de ser bastante maltratada e judiadas nas ruas... não gosto nem de lembrar... apanhei, passei fome... muita fome. Meu nome não é Magrela a toa. Quando me resgataram e me trouxeram para cá, eu realmente fazia jus a esse nome.
Pode não ser o nome mais bonito do mundo... mas é meu.
Até aí, tudo bem,... eu também sei que não sou a cachorrinha mais bonita do mundo. Não sei se nasci assim, se foi pelo nervoso de toda minha vida na rua, se foi algo que desenvolvi .... sei lá. Sei que tenho um problema que faz com minha pelagem não seja uniforme..
Não sinto dor...claro que me incomoda um pouco, mas... querem saber: tudo bem, eu vivo bem assim. Fico aqui no abrigo, compreendo que não sou do tipo adotável... ninguém vai me querer, ninguém vai gostar de ter um cachorro assim como eu.... então tudo bem... fico aqui.
Vira e mexe me pegam, mas nunca é para uma feirinha de adoção. Invariavelmente é para fazer um exame...As tias do Cão Sem Fome insistem em tentar descobrir o que eu tenho.
Não é sarna... não é fungo... aparentemente não é nada de pele...e se elas, que estudaram, que entendem não sabem... quem sou eu, uma viralatinha, para tentar entender... então, fico aqui e tudo bem.
Logo cedinho, quando a van veio buscar meus amigos, até dei um latidinho, como que desejando boa sorte para eles.... tomara que arrumem uma casinha... que tenham um carinho... que... vixi, estão vindo para o meu lado.
Ai ai ai... lá vou eu, provavelmente novos exames, novas picadas....
No caminho para sei lá aonde.. fiquei quieta... a verdade: estava morrendo de medo.. eu morro de medo de rua... Foi na rua que fui maltratada, foi na rua que apanhei, foi na rua que me machucaram, foi na rua que passei fome........... não gosto da rua.
Chegamos... Todos meus auaumigos vão para um lugar..onde tentarão ser adotdos... eu vou para uma sala fria... escuto uma das tias dizer que é um consultório...... enfim... deve vir picada, deve vir mais coisa...
Uma tia nova fica mexendo em mim... ela é carinhosa... fala umas coisas que eu não entendo... parece que meu problema não é de pede é... xi, que palavra difícil... endócrino (é isso?)... parece que tenho um probleminha numa glândula (uma tal de tireoide... isso existe?.. e eu tenho?).
Saio de lá e me levam para uma sala mais gelada ainda... um tio chega e fala: vamos tomar banho?
Banho?
Gente... eita coisa ruim.... eu não quero saber disso não... choro, grito... me molham inteira e depois me jogam num vento quente e esfregam uma toalha....Não... não está doendo.. mas sinceramente não gostei nem um pouco.
Terminada a tortura (gente, vocês humanos fazem isso todo dia? Vocês são malucos!!!!), me colocam uma roupinha ......e falam que eu tô linda... Sei sei sei....
Aí, uma tia diz que tem alguém louco para me conhecer... um cara que, mesmo de longe, está cuidando de mim... um tal de padrinho. Eu tenho isso?
Sabem que, preciso admitir, faz um tempinho... como não tenho lá muita noção de tempo não sei dizer se é um mês, dois, seis ... sei lá... um tempo aí.
Então, sabem que, faz um tempo aí que realmente eu tenho tido uma sensação diferente... Não sei o que é, parece que recebo um carinho diferente.. é algo que não sei explicar.. mas tem realmente algo diferente comigo.
Aí entra no lugar um cara.... um cara grande, de barba... engraçado, eu reconheço que o que sinto com ele é mais ou menos o que venho sentindo nesse tempinho... uma nova energia de carinho, de atenção.. a tia fala que ele é meu padrinho.
Ele me pega no colo e me dá um abraço.... Ah.. eu já sabia sim o que era um abraço... as tias do Cão Sem Fome vira e mexe me abraçam quando vão lá.... mas esse pareceu especial... pareceu que era só pra mim...
Eu fico no colo do meu padrinho um tempo... melhor ficar quietinha... ele parece boa gente, mas muitos que eu achei, no passado, que eram boa gente,, me chutaram, me maltrataram.... então, sei lá... seguro morreu de velho.
Meu padrinho fica um bom tempo comigo no colo... sempre me fazendo um carinho gostoso... ele parece não se importar com minhas falhas no pelo, com meu aspecto.
Ele e as tias conversam sobre mim... falam de coisas que vou ter que fazer... não entendo nada.. mas deu para sentir que tudo aquilo era para descobrir exatamente o que tenho e para me tratar... sei lá.
Uma hora meu padrinho vira e fala.. vamos andar na rua.
Ai meu São Francisco me proteja... rua é tudo o que eu não gosto.
Mas mesmo assim ele me leva...eu fico dura... será que já não basta tudo que passei na rua...
Ele me leva para a calcada... vejo, ao lado, meus amigos que estão para adoção... eles parecem felizes, todos andando, brincando, abanando seus rabos... o meu, prefiro deixar entre as pernas...
Meu padrinho me coloca na rua e.... e senta do meu lado. Que será que ele quer?
Ele conversa comigo... calmamente, vai me fazendo sempre carinho... diz que eu não preciso ter medo... que ele está ali para cuidar de mim, que nada de mau vai me acontecer... será?
Será que eu dou um voto de confiança para ele?
... como todo cachorro.. é isso que a gente faz... eu confio.. devagarinho, mas confio.
Aos poucos vou me soltando... ele sempre do meu lado, me mandando aquela energia gostosa (gente, posso me acostumar com isso...)... me fazendo carinho, falando comigo..... acho que, ao menos dessa vez, a rua não vai ser algo tão ruim.
Pois querem saber... não é que não foi ruim... foi muito divertido.
Eu andei... primeiro devagar... depois passeei... Meu padrinho é muito legal (pra mim meio doido,,, mas legal)... Ele deitou na rua, rolou comigo, eu subi nele, pisei nele, ...
Teve uma hora que eu olhei bem no olho dele... ele olhou bem no meu.... eu estava feliz... ele, pelo que senti, também estava... e então eu decidi... agora ele vai ver o que é bom.... E dei o maior lambeijo nele..... caprichado mesmo... tasquei a língua.
E ... uia.. ele gostou... me abraçou, brincou ainda mais comigo...
Ficamos mó tempão juntos... foi.. ah, sei lá. Não sei se foi o melhor dia da minha vida... mas foi sem dúvida, um dos melhores.
Daí... ele foi embora. Me apertou, me abraçou, eu dei mais uns lambeijos nele... e ele foi.
Eu fiquei um pouco mais ali na rua com meus amigos... e depois voltamos de carro para o abrigo... não todos, pq um tinha sido adotado... boa sorte.
Chegando no abrigo, corri para minha casinha... e deitei. Eu estava bem cansada do dia...mas em verdade – e isso não contei pra ninguém – o que eu queria era guardar bem guardadinho o cheiro do meu padrinho, a lembrança dele brincando comigo, a sensação mais do que boa de ter sido... ao menos um dia... amada.
Eu sei que muitos dos meus auaumigos aqui tem padrinhos... tomara que todos sejam tão legais quanto o meu.... mas, e me permitam aqui, pela primeira vez na minha vida, eu ser metida....
Muitos tem padrinhos,... mas assim como o meu.... só eu!!"
"Eu não sei se foi exatamente assim que a Magrela fez... espero que sim, ao menos foi isso que tentei deixar para ela.
São raras.. raríssimas as oportunidades que um padrinho tem de ter contato com seu afilhado ou afilhada.
São cachorros maiores, idosos, com algum probleminha e que praticamente nunca são levados para eventos de adoção. Ir nos abrigos é também algo complicado... eles ficam longe e não são locais de visitação.
Toda vez que se vai em um abrigo é com uma função: levar alimentos, vacinar, fazer reformas... algo prático, não é para passar o tempo.
Mas, melhor do que ficar lamentando é aproveitar. E foi isso que fiz com a Magrela.
Passamos em consulta, demos um banho (ela odiou... não está acostumada... mas, faz parte) e depois, fiquei ali,.. acalmando ela, mandando todas as boas energias que sei canalizar para que ela ficasse bem... e querem saber: ela ficou.
Brincamos muito na calçada...passeamos e quando fui embora, tentei nem falar muito... só olhar e desejar que tenha uma nova oportunidade de estar com ela.
Cada lambeijo, cada rabulejamento, cada sorriso, cada olhar fez valer tudo a pena...Hoje, diferente de outros dias, a Magrela sabe que tem alguém cuidando dela..."
"Ah! Gente esqueci de dizer, agora, a cada dia eu reconheço a energia do meu padrinho. Mesmo aqui, no abrigo, longe... eu sei que ele está pensando em mim e me mandando uma coisa boa de carinho e cuidado.
E eu faço o que sei fazer... mesmo aqui, no meu cantinho, eu dou um rabulejada e mando, pelo vento, um lambeijo pra ele...Espero que ele receba...."

Nota da Equipe CSF. 
Sergio Lapastina participa da Campanha de Apadrinhamento Cão sem Fome e contribui mensalmente com a manutenção da Magrela.
Magrela é uma cachorrinha idosa que tem sérios problemas de pele.
Sergio e Magrela se encontraram pela primeira vez nesse dia. Ele está ajudando a gente a pagar os exames para melhorar a qualidade de vida da sua afilhada.
Momentos assim fazem tudo valer a pena! 

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